29/12/2017

Fobia

Nosso mundo está enfermo. Vivemos uma época repleta de mazelas e epidemias.
Somos uma geração marcada por muitas doenças; dentre elas as fobias, que geram
grande inquietação ante um perigo normalmente imaginário, que causa pavor. Nossa
geração padece com várias fobias (de gente, de violência, de compromisso, de tomar
decisões). E ainda que nem todos tenham o mesmo tipo de medo, todos têm medo.
Mais do que nunca, a humanidade sofre com a insegurança. Embora possuindo
um gigantesco arsenal de armas e sistemas de segurança, nossa sociedade se sente
impotente e vulnerável, porque viver tornou-se uma aventura perigosa, ainda que
estejamos envolvidos pelo manto do desenvolvimento, ilusoriamente seguros à sombra
da tecnologia que nos rodeia e parece proteger-nos.
O fato é que o medo habita dentro de nós, e muitos são os danos produzidos por
ele em nosso mundo interior, tendo em vista que atua como um ácido em nossa alma,
corroendo nossas possibilidades. Tal qual um veneno mortífero, seus efeitos corrosivos
fazem verdadeira devastação dentro de nós.
O medo gera pessimismo, pois só nos revela o lado sombrio das coisas. O olhar
do medo só contempla o caos, só consegue perceber o negativo, as impossibilidades.
Cria e alimenta-se de sombras e fantasmas, e depois foge dos fantasmas que criou.
O medo também produz ansiedade. Tem a capacidade de aumentar o número de
pulsações do coração.
Muitas vezes, a alma não suporta as lesões profundas provocadas pelo medo,
produzindo, assim, um desequilíbrio interior, uma ansiedade doentia. Morrer de medo
não é apenas uma linguagem figurada. O medo pode matar. E, muitas vezes, o medo de
ser morto leva o homem a matar. Para muitos, o medo é o pai das crueldades, pois, por
instinto ou doença, o medo envolve sempre o perigo. Viver com medo é correr muitos
riscos.
Três manifestações do medo são profundamente danosas: o medo de sonhar, o
medo de ser feliz e o medo de amar. Os sonhos nos mantêm vivos e projetam nosso
olhar na direção do amanhã. A luta pela felicidade deve ser a força motriz de nossas
ações. O amor é que dá sentido à nossa vida e significado aos nossos gestos, às nossas
palavras e atitudes.
Contudo, se é verdade que o medo pode matar, também é fato que ele pode ser
derrotado. O medo não é invencível. A confiança em Deus, a coragem para lutar, a força
do pensamento positivo e a experiência do amor são alguns remédios poderosos e
eficazes que podem curar esta terrível doença. O amor que é totalmente verdadeiro
afasta o medo, ensina o escritor bíblico, em 1 João 4.18 (NTLH).