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Pr. Estevam Fernandes

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A estrada para Emaús

Dois homens caminhavam lentamente, como quem não espera chegar a lugar
algum. Eram alimentados por uma profunda dor, a da saudade; e estavam derrotados por
outra ainda maior, a da decepção.
De repente, o silêncio mórbido foi interrompido pela voz de outro viajante, em
cujo coração a decepção não achara lugar, mas a saudade era muito clara. Ele rever os
velhos amigos, companheiros de três anos de peregrinação, atalaias da paz, arautos do
bem e mensageiros do amor. O homem, com uma voz estranhamente familiar, quebrou
o silêncio, como todo amigo que retorna, sem precisar pedir licença, e foi questionando
o lado sombrio daquele silêncio denunciador: “Por que estão tristes?”
Esta seria mais uma história qualquer de alguém que especula curiosamente a
dor dos outros, sem o interesse real de ajudar, se aquele homem não fosse Jesus. Aquela
estrada, até então desconhecida, eternizou-se como o caminho de Emaús, onde a
saudade e a decepção foram vencidas pela presença de quem traz consigo segurança,
alegria e paz.
Todos nós passamos por essa estrada em nossa vida. São aqueles momentos que
nos envolvem em intenso sofrimento, convertido em aparente indomável angústia; é a
presença da perplexidade, do sentimento de abandono e das decepções, acompanhados
do medo do amanhã.
Em Emaús, a sensação de abandono é intensa, principalmente porque a poeira
dos desencontros esconde dos olhos o brilho da esperança, e os ventos que sopram em
sentido contrário fazem-nos perder de vista o norte da vida. Caminhar sob lágrimas é,
não raro, tropeçar na própria dor e machucar cada vez mais o coração ferido.
Emaús também é caminho de redenção, da vitória que surge quando não há mais
horizontes, da esperança concebida nas entranhas da fé. Emaús é o caminho por onde
Deus acompanha nossos passos, ouve nosso lamento e pergunta: “Por que você está
triste?”
A Estrada de Emaús está na exata distância entre a dor e o refrigério que
procuramos; entre o sofrimento e a paz que precisamos; entre nossos temores e a
segurança de um amanhã melhor. O que nos importa não são as distâncias que
percorremos, mas a certeza de um lugar certo, onde nossos passos se encontrarão com
os passos de Deus.
O Altíssimo não desiste de nós. Ele quer estar conosco, gosta de fazer-nos
companhia. Quem sabe, Ele esteja apenas esperando o convite: “fique conosco,
Senhor!” A partir de então, sua Emaús passará a ser uma estrada da vitória, pavimentada
pela esperança e pelo conforto da presença de Deus.

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